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Infarto antes dos 60 em São Paulo: o que os dados revelam e como se proteger

Foto do escritor: Dr. Elry Medeiros
Dr. Elry Medeiros
12 de ago.
4 min de leitura
Infarto em São Paulo

Uma pesquisa que merece atenção — e interpretação cuidadosa


Um levantamento apresentado no Congresso Internacional de Cardiologia da Rede D'Or 2026 chamou atenção para um dado preocupante: entre pacientes atendidos por infarto em hospitais privados de São Paulo, a idade média foi de 58 anos. Em outros estados, esse número foi consideravelmente mais alto — 62 anos no Rio de Janeiro, 69 em Pernambuco e no Distrito Federal, 71 no Ceará e 72 na Bahia.


O estudo avaliou mais de 7 mil pacientes com dor torácica, em 59 hospitais da rede, entre janeiro de 2025 e março de 2026.


O número chama atenção — mas precisa ser interpretado com cuidado.


São Paulo realmente faz as pessoas infartarem mais cedo?


Ainda não podemos afirmar isso. O levantamento é observacional e foi realizado em hospitais privados de uma única rede. Além disso, diferentes estados possuem populações com características demográficas, socioeconômicas, epidemiológicas e de acesso à saúde muito distintas.


Portanto, não é possível concluir que morar em São Paulo seja a causa de um infarto mais precoce. Uma associação observada em um estudo não significa necessariamente uma relação de causa e efeito. Os próprios pesquisadores destacaram que hipóteses como maior exposição à poluição e ao estresse urbano precisam ser investigadas antes de qualquer conclusão definitiva.


Ainda assim, o dado merece atenção. E talvez ele nos ajude a fazer uma pergunta muito mais importante: o que estamos fazendo ao longo da vida para que uma doença historicamente associada à idade avançada apareça cada vez mais cedo?


O coração não infarta de uma hora para outra


O infarto pode parecer um acontecimento súbito. A placa de aterosclerose se rompe, forma-se um trombo, a artéria coronária é obstruída e o músculo cardíaco começa a sofrer. Mas o processo que levou até aquele momento pode ter começado muitos anos antes.


Hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo contribuem progressivamente para a formação e a progressão da doença aterosclerótica. As diretrizes internacionais reconhecem esses fatores entre os principais determinantes modificáveis do risco cardiovascular.


Por isso, o infarto que acontece aos 58 anos não necessariamente começou aos 58. Em muitos casos, ele é o resultado de décadas de exposição a esses fatores — silenciosos, indolores e, frequentemente, não tratados.


Artéria entupida

O perfil de risco dos pacientes é revelador


Um estudo publicado em 2025 nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia ajuda a entender melhor esse cenário. Pesquisadores do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia acompanharam prospectivamente 5.580 pacientes internados por síndrome coronariana aguda, entre agosto de 2018 e outubro de 2022. A mediana de idade foi de 62 anos.


Mas o dado mais impactante não foi a idade. Foi o perfil de risco:

  • 80,4% tinham hipertensão arterial

  • 72,5% apresentavam sobrepeso ou obesidade

  • 56,6% eram diabéticos

  • 53,5% tinham dislipidemia

  • 20,6% eram fumantes

  • 99,3% foram classificados como sedentários


Esses números colocam a notícia em perspectiva. Talvez o problema não seja simplesmente que o paulistano esteja infartando mais cedo. Talvez estejamos identificando uma população que chega à meia-idade carregando uma quantidade significativa de fatores de risco cardiovascular — sem saber disso.


E o estresse? E a poluição?


São Paulo é uma das maiores metrópoles do mundo. Trânsito, jornadas prolongadas, privação de sono, estresse psicológico, sedentarismo e exposição à poluição fazem parte da realidade de muitos dos seus moradores.


É tentador atribuir a diferença encontrada no levantamento exclusivamente ao estilo de vida urbano. Mas a ciência exige cautela.


O que sabemos é que esses fatores podem influenciar a saúde cardiovascular. Uma meta-análise envolvendo 118.696 indivíduos encontrou associação entre níveis elevados de estresse percebido e maior risco de doença coronariana. Uma revisão sistemática de 26 estudos encontrou associação entre exposição a partículas finas (PM2,5) e aumento relativo no risco de infarto.


Isso não significa que "a poluição causou o infarto daquele indivíduo específico". Significa que a exposição ambiental pode fazer parte de um conjunto de fatores que, ao longo do tempo, modificam o risco cardiovascular de uma população.


O que fazer com essa informação?


A melhor resposta não é ter medo. É antecipar o cuidado.

A prevenção cardiovascular precisa acontecer antes do primeiro evento. Isso significa:

  • Conhecer a própria pressão arterial

  • Avaliar o perfil lipídico regularmente

  • Identificar diabetes ou pré-diabetes quando indicado

  • Monitorar o peso e a composição corporal

  • Não fumar

  • Praticar atividade física com regularidade

  • Adotar uma alimentação adequada


Prevenção não é simplesmente fazer um "check-up" anual. Prevenção é acompanhar o risco ao longo do tempo. Uma pessoa de 45 anos pode estar se sentindo perfeitamente saudável e, ainda assim, apresentar hipertensão, LDL-colesterol elevado, diabetes ou obesidade — sem nenhum sintoma.


A ausência de sintomas não significa ausência de aterosclerose.


Cardiologista em São Paulo

O infarto pode acontecer aos 58. A prevenção começa aos 40


Esse talvez seja o principal ensinamento desse dado.


Não devemos olhar para os 58 anos como uma sentença ou como "a idade do infarto". Devemos olhar para os anos que antecedem essa marca — porque existem duas histórias acontecendo ao mesmo tempo.


A primeira é a história do infarto: o momento em que a artéria fecha. A segunda é a história da aterosclerose: silenciosa, progressiva, construída ao longo de anos.

A primeira pode acontecer em minutos. A segunda pode levar décadas.

Por isso, quando vemos um dado dizendo que determinadas populações estão infartando mais cedo, a pergunta mais importante não é: "Por que eles estão infartando aos 58?" É: "O que posso fazer aos 40, 45 ou 50 anos para que esse infarto nunca aconteça?"


Essa é a essência da prevenção cardiovascular. Não esperar o coração pedir socorro para começar a cuidar dele.


Você tem entre 40 e 60 anos e ainda não fez uma avaliação cardiovascular completa?


Esse é o momento. O Dr. Elry Medeiros realiza consultas particulares de cardiologia na Bela Vista e em Higienópolis, com foco em prevenção, hipertensão e check-up cardiológico individualizado.


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Dr. Elry Medeiros (logomarca)

Dr. Elry Medeiros é cardiologista e médico nuclear em São Paulo/SP especialista no atendimento de adultos e idosos. Com 21 anos de experiência oferece atendimento humanizado, com tratamentos personalizados e de excelência, proporcionando segurança e satisfação aos seus pacientes.

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